quarta-feira, 24 de março de 2010

Franjinha ou franjão, eis a questão


Um mês sem franja. Sem franjinha, a retinha, logo acima dos olhos, que usava desde meus 14 anos, e que já fazia parte de mim. Luisa Nucada e sua franja eram indissociáveis. Contudo, devido a alguns pedidos de amigos e familiares, que há muito insistiam para que eu mudasse o visual, e também por causa de um certo professor Scotto, que implicava um monte com minha aparência infantilizada, deixei a franja crescer e joguei pro lado. Agora eu sou apenas mais uma garota que usa franjão. Assim, como as outras. Perdi meu diferencial, minha marca registrada, minha identidade.

Olho no espelho e simplesmente algo falta. No entanto, redescubro uma parte de mim que há tempos eu não contemplava: metade da testa e a sobrancelha direita. Não é a minha melhor sobrancelha, mas tenho um redemoinho bem no começo da testa, do lado direito, que separa os fios ali, me impedindo de deixar a sobrancelha esquerda à mostra. Além de não poder mostrar a minha sobrancelha mais bonita, agora tenho que fazê-las. Antes, se estavam feitas ou não, ninguém percebia. Ganhei mais uma preocupação feminina. Como se não bastasse, eventuais erupções acneicas que apareçam pela metade da testa que fica descoberta, serão descobertas por todo mundo. Great.

Eu tinha duas blusas com estampas de garotas com franjinha, que comprei ao acaso, porque as achei bonitas. Sempre que eu usava, as pessoas apontavam a estampa e falavam: “Olha, é você!”, ou até mesmo: “Você mandou fazer?”, e eu achava o máximo. Agora são apenas blusinhas bonitinhas, que não remetem a mim.

As pessoas me conheciam, reconheciam e identificavam como a menina da franjinha. Ela realçava meus traços levemente orientais, dos quais me orgulho muito, e por isso eu ouvia alguns “japinha” ou “japagirl” na rua, vários “Tainá”, “Pocahontas”, “indiazinha”... até mesmo “Cleópatra” eu ouvia. Confesso que gostava disso. Deixei de ser uma afrojapa, agora sou apenas uma garota morena, talvez mestiça, que usa a franja pro lado.

Tá, então porque não corto a maldita franja de novo? Porque fiquei um pouquinho mais velha (mas continuo parecendo uma pré-adolescente), e porque eu realmente precisava mudar. Cinco anos usando o mesmo corte de cabelo me cansaram, apesar de eu adorar minha franjinha. O gatinho disse que antes eu era mais bonita, mas agora to com mais cara de mulher. Perdi um monte na minha personalidade, mas ganhei alguns anos na aparência. A vida é feita de renúncias, fazer o quê? Nada como o exercício do desapego.

7 comentários:

  1. E eu pensando em cortar a minha franja...
    hahah
    E agora, José?

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  2. eu nunca vi a sua testa!!! hahaha

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  3. só eu que achei engraçado demais? E eu, que já testei quase todos os cortes de cabelo, como faço? Beijos.

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  4. Já disse: DESISTA de tentar ficar feia! Impossível, meu bem. Beijos bundinha.

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  5. Prefiro sem franja. Aliás, nunca gostei de franjas curtinhas em ninguém. Você fica bonita igual e com mais cara de mulherão. Boa mudada!

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