quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Chega de casaco!

Cansei do friozinho de Cádiz e fui curtir o inverno de 20°C de Gran Canária, uma das sete Ilhas Canárias. Por mais próximo que esteja do Marrocos, o arquipélago faz parte da Espanha e tem clima agradável o ano inteiro, por isso conhecido como “Ilhas da eterna primavera”. Saí na última sexta-feira para uma viagem de primeiras vezes: estar fora da península, viajar sozinha, fazer CouchSurfing. E foi lindeza.

Cheguei por volta das 14h e fui pra praia de mochilão e tudo, já que só ia encontrar Miriam, minha host, às 20:30h. Escolhi Las Canteras, no norte da ilha, porque era pertinho de sua casa. Dormi na areia, passeei pela orla, provei a cerveja canária Tropical e até peguei uma corzinha. A praia é tranquila e bem parecida com La Caleta, em Cádiz.

Orla de Las Canteras

Como eu era caloura no CouchSurfing estava um pouco receosa, mas no final das contas só tive sorte. Miriam é muito simpática, vive pertinho de uma estação de ônibus e também de Vegueta, a parte mais antiga da cidade. E pra lá eu fui no segundo dia de viagem.

Construída em círculos concêntricos ao redor da catedral, como em toda boa vila católica, Vegueta tem um famoso mercado de pescado e verduras, ruas de pedra e arquitetura tipicamente espanhola. Além de ser o lugar perfeito para uma caminhada, dá pra fazer pit stop nas lojas de especialidades artesanais que oferecem degustação (adoro). Há uma infinidade de produtos à base de amêndoa: doces, biscoitos, bolos, tudo delicioso.

Um dos manequins de The Big Three, de Yinka Shonibare

Os museus Casa de Colón e Centro Atlântico de Arte Moderna (CAAM) também ficam em Vegueta, e valem muito a visita. No primeiro, havia maquetes das embarcações usadas por Cristóvão Colombo em suas viagens, mapas e esquemas mostrando suas rotas e até uma reprodução do que seria o interior de uma caravela. No CAAM, conheci o trabalho do artista anglo-nigeriano Yinka Shonibare, de quem nunca tinha ouvido falar. Ele usa diversas plataformas, mas sua marca são as instalações de manequins sem cabeça vestidos com tecidos africanos, uma crítica ao colonialismo. Várias de suas obras foram inspiradas na literatura, como a série fotográfica alusiva a O retrato de Dorian Gray, em exposição no museu. Original e inquietante.


Turistas no conforto de Maspalomas

No terceiro dia conheci a praia de Maspalomas, no sul da ilha (que estranho, parece que tô falando de Floripa). Passei pelo farol e fui até o comecinho das famosas dunas, formadas com areia do deserto do Saara trazida pelas tempestades de vento. A praia tem areia mais escura, muitas pedras e milhares de alemães. É a região mais turística da ilha, e mesmo no inverno estava movimentada.

Para a manhã do último dia reservei Teror, um antigo povoado no interior da região norte. Com 589 metros de altitude, o vilarejo é conhecido por seus típicos balcones do século XV, as “sacadas” de madeira. Lá a paisagem é totalmente diferente do que se vê nas praias. Os coqueiros dão lugar a invernais troncos secos e pinheiros, e tudo à volta é montanha. Um lugar bem calmo e pitoresco, ainda mais especial com decoração natalina.

Principal rua de Teror, com a catedral ao fundo

Gran Canária é linda e me permitiu passear de vestido e rasteirinha em pleno inverno europeu. Mas se alguém planeja conhecer alguma das Ilhas Canárias, talvez Tenerife, com sua areia negra e seu vulcão inativo, ou Lanzarote, onde Almodóvar filmou Abraços Partidos, sejam melhores opções, ouvi que são mais paradisíacas. Fica a dica.

É isso aí, gente. Beijos canários e até mais!

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