sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Los Perros de Cádiz

Un perro andaluz. Dois. Três, quatro, cinco. Aqui é impossível sair de casa e não contar ao menos dez cães levando os donos pra passear.



Uma das razões pra tanto vaivém canino é a arquitetura da cidade. No centro antigo quase não há casas térreas, e os prédios são grudados uns nos outros. Os apartamentos oferecem apenas diminutas sacadas como espaço recreativo, e há de passear muito mesmo pra não virar cachorro louco. E também pra fazer as necessidades, claro, origem do mau cheiro ocasional que torce os narizes mais franceses. Mesmo que os donos recolham as “lembrancinhas” e a prefeitura lave as ruas todas as noites, é recomendável caminhar dando olhadelas de vez em quando para o chão. 
  

Aqui o povo gosta mesmo de cachorro, todo mundo tem e cuida muito bem. Na volta das festas, não é raro ver gente caminhando com seu cão às quatro, cinco da matina. Inclusive sob chuva, não tem tempo ruim, não. Coisas meio impensáveis no Brasil. O Simba mesmo, coitado, fica esquecido lá na garagem de casa, semanas sem botar o focinho na rua. Deve ser por isso que tem o gênio tão ruim.


Apresento-lhes el perro de la ventana. Tá sempre ali, pegando um solzinho, com sua cara de poucos amigos. Se sua função é bibelô de janela ou segurança, não sei, mas desejá-lo bom dia no caminho da faculdade já virou pedaço da rotina.
 

Meus amigos estrangeiros riem do meu frequente espanto/entusiasmo ante um tipo de cachorro que nunca havia visto antes. E ante aos cães mais raros (e caros) em terras tropicais. Dálmata aqui é balaio, buldogue nem se fala. Até então, o cão-esfregão, esse aí de cima, foi o mais diferente que consegui fotografar.


Os cães já são parte da identidade de Cádiz, não consigo imaginá-la sem eles. Tornam meu dia mais leve e dão vida à pacatez da cidade. Alguns fazem verdadeira diferença na vida de seus donos. Ontem, na feira, ouvi uma senhora comentando que, depois que se aposentou, se sente triste e não tem vontade de sair de casa. Mas o faz ao menos três vezes por dia, graças a seu cão.

Por hoje é só, pessoal (tempos de crise, não tá fácil pra ninguém). ¡Hasta pronto!

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