Três palavras que você precisa saber para ir ao Marrocos: cuscuz, tagine e harira. Foi a primeira viagem da minha vida em que tudo que comi, absolutamente tudo, estava DELICIOSO. Botei o pezinho (que sempre tive) na África e saboreei como nunca o fim de semana em Tânger.
Chegar lá quando se mora no sul da Espanha é fácil, barato e rápido: uma hora de barco. Sem stress de aeroporto, sem incomodação com Ryanair. Eu nem tinha planos de viajar este mês, mas resolvi aproveitar que um amigo ia, já que não queria viajar para lá sozinha por motivos óbvios de amor à vida. Tânger está no norte, próxima do estreito de Gibraltar, e é uma cidade bastante europeia, com forte influência das culturas mediterrâneas. Seu povo é poliglota e está preparadíssimo para receber – e extorquir – os turistas. Isso é algo que se tem de ter em mente antes de ir ao Marrocos: vão te coagir ameaçar a gastar dinheiro o tempo todo. E eu senti na pele, logo na primeira tarde.
Entramos numa loja de decoração/souvenires gigantesca, e comecei a tirar foto de tudo, bem alegre e inocente. Ficamos um quinze minutos por ali, eu clicando sem parar. Quando nos encaminhamos para a saída (sem haver comprado nada), o dono se aproximou e me acusou (em inglês): “Você roubou tudo isso aqui com sua câmera.” Disse que eu tinha que pagar pelas fotos, que eu não havia pedido permissão para fotografar, perguntou quantas eu tinha tirado. Depois de uns dois minutos de pressão dele e pedidos de desculpa meus, deu uma risada si-nis-tra e falou que estava brincando. Saímos correndo dali, e ainda fiquei por um bom tempo com olhinho esbugalhado e cara de choro. Faz parte, fazer o quê.
| Foto da loja onde "roubei tudo com a minha câmera" |
Recuperada do susto, fui conhecer a Medina, a parte antiga da cidade. Lá ficam o Zoco Grande e o Zoco Pequeno, mercados onde se pode comprar temperos, especiarias, flores, frutos secos, castanhas, nozes. Nas ruazinhas próximas, há joalherias e uma infinidade de lojas de roupas e artigos falsificados. Por ali, não é raro ver mulheres passando com galinhas embaixo do braço, como se fossem baguetes. A uma caminhada rápida da Medina está a praia, com camelos na areia e discotecas badaladas no passeio marítimo. É a parte nova da cidade, com um cenário bem diferente: fast foods e limusines.
No restaurante do hotel Hammadi, na Rue D’Italie, jantei um prato chamado cuscuz sete verduras, acompanhado de um bom pedaço de carneiro. DELICIOSO. Não é seco como o cuscuz do nordeste brasileiro (esse eu não curto muito), é suculento e bem condimentado. O hotel é um antigo palácio marroquino, no restaurante come-se muito bem por oito euros e há artistas animando a noite com “música clássica das montanhas do Marrocos”, segundo o garçom. Aprovadíssimo.
Como Tánger é bem pequena, no segundo dia visitamos Asilah, um povoado a 45 Km de distância. Fomos recomendados a ir à estação de ônibus e pegar um táxi coletivo, 20 dirhams por cabeça (equivalente a dois euros). Entramos em um carro que estava com dois lugares livres, e como completamos os assentos, achamos que já íamos sair. Que nada, o motorista esperou por outras duas pessoas e as enfiou no táxi, espremendo quatro passageiros no banco de trás e dois no dianteiro. Olha só que beleza:
Depois de 40 minutos de conforto e comodidade (agradeci o trajeto inteiro por ser inverno, imagina o inferno que deve ser viajar de coletivo no calorão), chegamos a Asilah, que, também litorânea, é pequena, pacata e encantadora. Ali moram muitos campesinos marroquinos, facilmente identificados por seu chapéu característico. Vivem da agricultura, e aos domingos vão a Tânger vender seus produtos.
| Campesinos marroquinos na feira de domingo |
No almoço provamos harira, a típica sopa marroquina, à base de lentilha, azeite de oliva e grão-de-bico. DELICIOSA. Uma tigela foi o suficiente para fazer pesar o estômago, e fizemos a digestão curtindo o vaivém de túnicas coloridas, as djellabas.
| Harira, pão fresquinho e as melhores azeitonas da minha vida |
Ah, outra coisa importante sobre o Marrocos, se você é do tipo de turista baladeiro: bebidas alcoólicas são caras e não muito fáceis de encontrar. Uma long neck pequena de cerveja custa três euros. Mas quem precisa de álcool quando se tem o chá de hortelã, a bebida oficial do país? Servido com uma dose generosa de açúcar, em alguns lugares leva também alecrim e limão. Eu tomei uns três copos por dia, DELICIOSO.
Deixei pra falar do meu prato preferido por último, mas vou roubar a descrição do Wikipédia, que está perfeita, sem tirar nem pôr: “Os pratos de tagine são cozidos lentamente, a temperaturas baixas. Desse processo, resulta carne tenra, soltando-se dos ossos, com vegetais aromáticos e molho.” Tem de carne de vaca, frango, peixe e carneiro. Nem preciso dizer que é DELICIOSO, né? Ai, Marrocos, que saudade.
| Minha última refeição, tagine de carne em primeiro plano, chá de hortelã no fundo |
Amei a viagem, a melhor até agora, sem dúvidas. Conheço um montão de gente que foi pra lá e não gostou. Se você faz questão de limpeza, segurança, conforto e gente fina, elegante e sincera, também não vai gostar. Mas se você quer ver de perto o que é um país muçulmano e está disposto a sentir a dorzinha dos choques culturais, se joga. De quebra, vai comer MUITO bem pagando preços universitários. Se você for mulher e não estiver de burca, provavelmente ouvirá elogios desrespeitosos em ao menos cinco línguas diferentes. Por isso, é bom não ir de shortinho e estar com pelo menos uma companhia masculina. De resto, é só saborear.
Pra fechar o post, fotos dos baratos e DELICIOSOS doces franceses. Em toda esquina tem uma confeitaria cheinha deles. Bom apetite!
Fiquei com água na boca!
ResponderExcluirAi, Luiza, que delíciaaa! :D
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